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Teófilo Odorico Dias de Mesquita (8 de novembro de 1854 - 29 de março de 1889) |
1. “Às praias do porvir, lá vai talhando o mar!”
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2. “Espadana-lhe em vão as bravatas hediondas do inútil preconceito!”
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3. “Pendente a língua rubra, os sentidos atentos, inquieta, rastejando os vestígios sangrentos!”
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4. “A sôfrega avidez dos meus desejos, em mudo turbilhão de imóveis e alucinados beijos!”
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5. “De brandas formas eu vestira teus contornos gentis!”
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6. “Dobrai o régio manto orgíaco e covarde... É tempo, adormecei no olvido sepulcral!”
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7. “Enfim, nos músculos cansados, cravam com avidez os dentes afiados!”
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8. “Cheio de força, vida e sentimento, surgira-me o ideal da pedra clara, e em fundo, eterno arroubo, se prostrara, ante a estátua imortal, meu pensamento!”
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9. “Cai do passado a trágica bandeira; e de envolta com ela a triunfal esteira, submerge avidamente as púrpuras dos reis!”
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10. “Tu, que prendeste um dia os braços de Jesus, quando neles quis ter a humanidade erguida, hás de cair prostrada, exânime abatida!”
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11. “Cheios de furor frenético, respiram cegos de raiva!”
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12. “O futuro são fundas névoas densas, o alento vingador, viril das novas crenças!”
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13. “Fosse-me dado, em mármore de Carrara, num arranco de gênio e de ardimento, às linhas do teu corpo o movimento, suprimindo, fixar-te a forma rara!”
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14. “Já não existe um Deus, que veja, teu gesto de terror e de súplica sombria!”
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15. “O século é pujante, heroico, inexorável!”
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16. “Uma mulher esperando um filho, está vertendo nova seiva à árvore da vida!”
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17. “O pensamento audaz, são germens infecundos da divina semente, estéril e vazia!”
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18. “Das nações os vários evangelhos, rasga-os, folha por folha, a garra de Satã; e os livros feitos pó, virá uma só crença; e unidos se verão numa harmonia imensa, os crentes de Jesus, de Buda e do Alcorão!”
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19. “A matilha audaz, corre, aspira, sonda, esquadrinha, explora, e respira, até que, finalmente, embriagada, louca, vai encontrar a presa, o gozo em tua boca!”
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20. “No polo social a estrela do direito ergueu-se, há muito já. No mortuário leito repousai. Já não há coroas nem brasões!”
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* Teófilo Dias foi indicado por Afonso Celso (um dos fundadores da ABL - Academia Brasileira de Letras), como Patrono da cadeira 36.