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Abgar de Castro Araújo Renault (15 de abril de 1901 - 31 de dezembro de 1995) |
1. “Eu tenho o coração cheio de coisas para dizer... E a minha voz, se eu acaso falasse, teria a força de uma revelação!”
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2. “A forma disforme no livro, na carta, no peito largo, no assoalho, na rua, na lâmpada, na mesa. Forma que não é forma, nem feiura nem beleza, água que não matará nenhuma sede, chão que nada enterra!”
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3. “O dano de querer sem ter, em te sentir minha, há de ferir-me, o mal de ter sem lhe merecer!”
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4. “Quem há de pagar por vãs cuidados, com tanto amor e tamanho desamor?”
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5. “Minhas mãos tremem ainda ao contato imaterial, sobre-humano e fugitivo de qualquer coisa além e acima deste mundo!”
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6. “Há de morrer amor tão mal sonhado e também o vosso desdém!”
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7. “A minha vida toda em luz se muda, porém me sinto sempre mais tristonho!”
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8. “Na morte se mata os enganos da vida!”
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9. “Nutrem-se os homens de palavras, comem milhões de verbos e de substantivos, tal o seu pão de cada dia!”
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10. “Meu espírito palpita ao ritmo desordenado e aflito, de asas prisioneiras que se dilaceraram, na arrancada impossível da libertação e da altura!”
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11. “Em quantas mil palavras me consumo?”
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12. “Estacado pensamento... Obrigatório sono dentro do leito perpétuo e frio!”
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13. “Adormeceu para sempre no fundo dos meus olhos a saudade de paisagens estranhas e longínquas, que nunca mais voltarão neste tempo e neste espaço!”
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14. “Existe falta de luz na alma e no olhar, a perda de tudo que não é meu!”
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15. “Abrem-se de repente dicionários, vocábulos saltando vão em fieiras!”
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16. “O humano ideal de ser, sem existir, constrói uma vida onde não há!”
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17. “Tudo de palavras é composto o viver, sem elas o homem perderia o rosto!”
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18. “Ordem, relógio, horário, exatidão, tudo são palavras e existem por servir à palavra, que preenche os homens vãos!”
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19. “Papel de amor ou de ódio, totalmente, coberto de palavras belas, feias, finas, grossas, vermelhas!”
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20. “Doem meus olhos. Tremem, ansiosas, as minha mãos. Meu espírito palpita. Tenho o coração cheio de coisas para dizer. Eu estou vivo, Senhor... Mas, em verdade, é como se estivesse morto!”
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* Abgar Renault foi membro da ABL - Academia Brasileira de Letras, cadeira 12 (Patrono: Joaquim José da França Júnior - Fundador: Urbano Duarte).