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João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto — [Pseudônimo: João do Rio] (5 de agosto de 1881 - 23 de junho de 1921) |
1. “A rua nasce, como o homem, do soluço, do espasmo. Há suor humano na argamassa do seu calçamento!”
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2. “E só no quarto humilde é que pôde chorar, chorar longamente não ter sabido guardar integralmente o princípio da vida... A ilusão!”
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3. “Sou a alma encantadora das ruas!”
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4. “Não pensemos, porém, romanticamente que todos os músicos morrem de fome ao cair de suas ilusões!”
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5. “Eu vinha vindo com o frescor da manhã por aquele trecho da praia vazia... Assim como são vazias as almas!
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6. “São filhos das ruas às várias formas de pobreza!”
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7. “Existem ruas que a gente passa como se fosse empurrado, com certa preguiça!”
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8. “Atirar-me para o fundo de uma praça vagamente iluminada por casas, onde os grandes panos de fundo das ruas, são as sombras da multidão que não aparecem!”
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9. “‘Dar tempo ao tempo’ é uma frase feita cujo sentido a sociedade perdeu integralmente. Já nada se faz com tempo. Agora faz-se tudo por falta de tempo!”
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10. “Existe uma rua invisível, a rua dos caluniados e perseguidos... A famosa ‘Rua das Amarguras!’”
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11. “Não guardo minhas observações no cérebro, guardado nos nomes das placas de rua!”
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12. “Via braços nus... São estátuas que dormem e amanhecem nas ruas!”
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13. “Andar pelas ruas te deixa sem palavras, depois te transforma em um condutor de histórias!”
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14. “Os turistas invadem a Cidade Maravilhosa: o Rio de Janeiro conhece muito bem a vida do burguês de Londres!”
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15. “As frases, os ditos, a pressa, todas as cenas vibram nas ruas e becos do centro do Rio de Janeiro!”
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16. “A alma da rua só é inteiramente sensível a horas tardias!”
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17. “Não é uma rua onde só alguns de nós sofrem; é a rua sem fim, que atravessa cidades, países, continentes!”
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18. “Meu amor pelas ruas, esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim!”
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19. “Como na primeira noite, via a sua forma grácil e suave, do outro lado a música, velada, num resumo de mil emoções!”
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20. “Tudo se transforma, tudo varia: o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia. Os séculos passam, deslizam, levando as coisas!”
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* Paulo Barreto - João do Rio foi membro da ABL - Academia Brasileira de Letras, cadeira 26 (Patrono: Laurindo Rabelo - Fundador: Guimarães Passos).